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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LIVRO VIDAS SECAS - GRACILIANO RAMOS.

Livro: Vidas Secas.

Autor: Graciliano Ramos.

Editora: Record.

Gênero: Romance.

Ano de Lançamento: 1938.

Principais personagens são: Fabiano, Sinhá Vitória, Menino mais Velho, Menino mais Novo, a cachorra (Baleia) e o papagaio, que a família come para aliviar a fome.
Número de Páginas: 178.

Sinopse:

Vidas Secas, lançado originalmente em 1938, é o romance em que mestre Graciliano - tão meticuloso que chegava a comparecer à gráfica no momento em que o livro entrava no prelo, para checar se a revisão não haveria interferido em seu texto - alcança o máximo da expressão que vinha buscando em sua prosa. O que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro.

Relatos detalhados da história:

Com a chegada da seca no sertão, Fabiano e sua esposa Sinhá Vitória, os dois filhos, o papagaio e a cachorra Baleia foram forçados a mudar. Caminharam por uma longa jornada na terrível seca. Antes que morressem de fome comeram o papagaio, seguindo a viagem o menino mais velho desmaiou, seguiram carregando o pequeno, foi assim que encontraram uma fazenda abandonada onde se instalaram.

A seca acabou e Fabiano se acertou com o dono da fazenda. Era o vaqueiro daquela terra, logo houve uma ressurreição em todos e tudo. Os meninos, a cadela, Sinhá Vitória e o próprio Fabiano engordaram, na fazenda criaram porcos e bois.

Em um dia Fabiano foi até a cidade comprar o que faltava em casa, antes de ir embora resolveu tomar um copo de cachaça, se sentia por todos enganado acreditando que sempre lhe cobravam mais do que era certo, assim como o patrão que sempre lhe pagava menos com a história dos juros. Foi ai que um soldado amarelo apareceu e o chamou para um jogo de cartas, como o homem era autoridade aceitou, mas logo após a primeira rodada foi embora. O soldado lhe seguiu o pertubando até que Fabiano enraivecido xingou a mãe dele. Com isso foi para cadeia. A ignorância que a pobreza lhe causara não permitiu que ele se explicasse e assim ganhou uma surra e uma noite na prisão.

Mesmo assim a vida melhorara, Sinhá Vitória acreditava que para a felicidade ser praticamente completa bastava uma cama de verdade diferente daquela que possuíam, feita de varas que os incomodavam durante o sono. Os meninos apenas se divertiam no barreiro junto com a cachorra Baleia. O mais novo em uma tentativa de imitar o pai tentou muntar um bode o que só lhe deu uma queda e humilhação por parte do irmão e de Baleia. E o menino mais novo buscando o significado de inferno apenas ficou chateado com a má vontade que lhe explicaram.

O inverno chegou e a família se acalentava frente à fogueira onde travavam pequenas conversas primárias. O natal também chegou e com isto toda a família vestida de roupas novas que só lhes incomodavam foi à missa, tanta gente os assustava e com a lembrança nunca esqueçida da injustiça aprontada pelo soldado amarelo, Fabiano bebeu e saiu a desafiar os homens. Acabou deitado na calçada tirando um cochilo, enquanto Sinhá Vitória fumava e os filhos brigavam com Baleia por ter desaparecido.

Depois desses tempos Baleia adoeceu. Feridas apareceram, o pêlo caiu e ela emagreçeu. Fabiano decidiu matá-la de forma rápida que lhe poupasse o sofrimento. Sinhá Vitória se trancou com os filhos e tampou-lhes os ouvidos. Fabiano com um tiro feriu o traseiro da cachorrinha que assustada se arrastou até os juazeiros onde sem compreender morreu.

Certo dia caminhando pela catinga Fabiano se encontrou com o soldado amarelo que nunca esquecera. Precipitou-se erguendo o facão, mas parou antes de ferir o homem. Viu como ele era um frouxo já que nem se agüentava de tanto tremer. Ficaram frente a frente até que o soldado viu que Fabiano recuara, perguntou-lhe o caminho, Fabiano respondeu tirando o chapéu.

As trapaças do patrão o pertubavam e as contas de Sinhá Vitória sempre mostravam que eles estavam sendo enganados, mas quando foi reclamar o patrão se encheu de fúria e disse que ele podia ir embora, Fabiano perdeu o emprego. Fabiano desculpou-se e foi embora. Nesse contexto a seca voltava.

O bebedouro secava, o rio também, vinham ainda dezenas de pássaros que bebiam o pouco de água que restava aos bichos que emagreciam. Fabiano matava-os, mas eram muitos. Os que ele matava salgavam e guardavam. A seca chegou. Fabiano sabia que era hora de partir, de fugir, mas adiava. Foi então que matou o único bezerro que lhes pertenciam e salgaram junto a carne dos pássaros, trancaram a fazenda e partiram. Sem avisar.

Fabiano se atormentava com as lembranças: o soldado amarelo, a cachorra Baleia, o cavalo que ficou pra morrer já que pertencia ao patrão e ele não podia levá-lo. Mas depois começaram a conversar e as léguas passaram sem nem verem, almoçaram e as esperanças de encontrar uma terra nova onde os filhos teriam futuros diferentes e eles um presente mais digno onde não precisariam fugir da seca, os levou embora.

LIVRO IRACEMA - JOSÉ DE ALENCAR.


Título do Livro: Iracema.

Autor: José Martiniano de Alencar.

Gênero: romance.

Série Bom Livro.

Ano de lançamento: 1865.

Editora: Ática.

Número de Páginas: 75.

Personagens Prinicipais: Martim, Iracema.

Sinopse

Durante uma caçada, Martim se perdeu dos companheiros pitiguaras e se pôs a caminhar sem rumo durante três dias.No interior das matas pertencentes à tribo dos tabajaras, Iracema se deparou com Martim. Surpresa e amedrontada, a índia feriu o branco no rosto com uma flechada. Ele não reagiu. Arrependida, a moça correu até Martim e ofereceu-lhe hospitalidade, quebrando com ele a flecha da paz.Martim foi recebido na cabana de Araquém, que ali morava com a filha. Ao cair da noite, Araquém havia deixado seu hóspede sozinho, para que ele fosse servido pelas mais belas índias da tribo. O jovem branco estranhou que entre elas não estivesse Iracema, a qual lhe explicou que não poderia servi-lo porque era quem conhecia o segredo da bebida oferecida ao pajé e devia prepará-la.Naquela noite, os tabajaras recepcionavam festivamente seu grande chefe Irapuã, vindo para comandar a luta contra os inimigos pitiguaras. Aproveitando-se da escuridão, Martim resolveu ir-se embora. Ao penetrar na mata, surgiu-lhe à frente o vulto de Iracema. Visivelmente magoada, ela o seguira e lhe perguntou se alguém lhe fizera mal, para ele fugir assim. Percebendo sua ingratidão, Martim se desculpou. Iracema pediu-lhe que esperasse, para partir, a volta, no dia seguinte, de Caubi, que o saberia guiar pela mata. O guerreiro branco voltou com Iracema e dormiu sozinho na cabana.

Relatos detalhados da história.

Iracema era a filha do pajé Araquém da tribo dos tabajaras. Em um dia quando banhava em um rio chegou até ela um estrangeiro, Martim. Assim que o viu a observá-la o atacou com uma flecha, mas a expressão de Martim foi tal que Iracema viu a mágoa que causara e assim se perdoaram. Seguiram então para a tribo da jovem índia, onde ele foi hospedado. Rapidamente os dois se apaixonaram, mas Iracema era a virgem de Tupã o que tornava o amor deles proibido.

Em uma noite ela levou Martim ao bosque da Jurema onde lhe ofereceu uma bebida que o adormeceu e lhe proporcionou rever em sonhos seus melhores momentos e suas esperanças. Nos seus sonhos chamou por Iracema que se reclinou sobre o estrangeiro, novamente ele a chamou, mas assustada ela o deixou adormecido e foi embora, quando retornava do bosque encontrou-se com Urapuã, o chefe dos guerreiros.

Esse tinha visto o estrangeiro sair com a virgem e agora queria matá-lo acreditando que Iracema havia se entregado ao estrangeiro, ela se opôs dizendo que não permitiria e assim Urapuã jurou matar Martim, e foi embora. Iracema ficou a velar Martim. Ele ao acordar pela manhã encontrou Iracema na entrada do bosque. Ela estava triste, a situação não permitia que eles ficassem juntos, Martim resolveu que o melhor era que ele partisse.

Mas sua vida corria perigo, e por isso Iracema foi à tribo dos pitaguaras, rivais dos tabajaras, ter com o amigo de Martim, Poti o maior guerreiro. Logo ele veio ao encontro de seu amigo para lhe ajudar na fuga. Ouviram Iracema que aconselhou a partida durante a festa da lua das flores, pois ninguém estaria prestando atenção.

Na espera para o dia da festa, Iracema e Martim ficaram juntos e Tupã perdeu sua virgem. Chegado o dia da fuga, Iracema os acompanhou, mas quando já estavam fora das terras dos tabajaras a índia declarou que não podia se separar do estrangeiro e seguir com ele. Estavam adiantados, mas quando os guerreiros tabajaras acordaram seguiram o rastro deles e depois de um tempo os alcançaram, iniciaram uma batalha e Iracema lutou contra os da sua tribo. O cão de Poti guiou os guerreiros da pitaguara que socorreram Martim e Poti e esses saíram vencedores.

Por um tempo a tristeza pertubou Iracema que traíra sua tribo, mas Martim fazia sua alegria. Os três foram caminhando pelas terras dos potiguaras até que chegaram ao mar onde se instalaram. Lá viviam também outros índios, tribos de pescadores mais à margem dos braços do rio e tribos caçadoras mais pra dentro da mata.

Depois de um tempo Martim e Poti foram ter com o grande chefe dos pitiguaras e ali o viram morrer. A alegria agora morava na alma de Iracema, banhava-se com alegria no rio e foi nesse tempo que deu alegria a Martim anunciando a espera de um filho. Martim então se fez grande guerreiro na tribo dos pitiguaras e assim tornou-se um deles recebendo o nome de Coatiabo e festejaram até a manhã.

A alegria morou ainda por muito tempo na cabana, mas em certo tempo a saudade de seus irmãos e da pátria apertou o coração. Martim saía para as batalhas contra os taputingas que, em aliança com Irapuã, vinham combater a nação dos pitiguaras.

Nessas partidas Iracema se entristecia, agora ainda mais por que via nos olhos de seu esposo a saudade que tinha de sua terra natal. Partiu Martim pra nova batalha. Essa contra os guaraciabas. Novamente os pitiguaras venceram e enquanto comemoravam a vitória Iracema deu a luz ao filho Moacir, o filho da dor. Iracema mergulhada numa tristeza profunda passou a esperar por seu esposo com o filho nos braços, por causa da tamanha tristeza ela perdeu o apetite e as forças. Martim regressou e teve com seu filho, a graça de ser pai lhe reacendeu o amor, mas Iracema se enfraqueceu e acabou morrendo. Não tendo mais motivos para se prender àquelas terras o estrangeiro partiu com o filho para sua terra natal, prometou voltar e assim o fez depois de alguns anos. Aquela terra guardava uma amarga saudade, que lhe rendeu abundantes lágrimas que só se findaram quando ele tocou a terra onde repousava sua amada. Martim veio acompanhado de homens de “sua espécie” e um sacerdote de sua religião, fundaram ali a mairi dos cristãos, o fiel amigo Poti que sempre o esperara foi o primeiro a adotar a religião. O Deus verdadeiro chegou àqueles povos, Martim lutou novamente a favor dos pitiguaras e com emoção lembrava os momentos que tivera com Iracema naquelas terras.

LIVRO SENHORA - JOSÉ DE ALENCAR.

Livro: Senhora.

Autor: José Martiniano de Alencar.

Gênero: Romance.

Ano de Lançamento: 1990.

Editora: L&PM Editores.

Personagens Prinicipais: Aurélia e Fernando.

Coleção: L&PM POCKET, V.79

Número de páginas:297.

Sinopse:

José de Alencar publicou Senhora em 1875, quando o Romantismo vivia já seus últimos anos de glória. Ao lado de Diva e Lucíola, Alencar completa com 'Senhora' a trilogia com que se propôs a traçar "perfis" de mulher. São perfis marcados pela romântica passionalidade de mulheres que movem os romances urbanos de Alencar, ambientados no Rio de Janeiro do Segundo Império. Em 'Senhora', Alencar tematiza o casamento por interesse, envolvendo Aurélia e Fernando num desgaste emocional que instigará o leitor até a situação final dos acontecimentos em nível da paixão humana.

Relatos detalhados da história.

Aurélia Camargo era uma moça pobre, já tinha perdido o irmão e o pai, sua mãe temendo morrer e abandonar a filha desamparada insistia para que ela fosse ficar na janela pra ver se arrumava um casamento. Realizando tal desejo, conseguiu muitos admiradores e um grande e único amor, Fernando Rodrigues Seixas.

Este tinha apenas a mãe e duas irmãs e levavam uma vida pobre, viviam do aluguel de dois ecravos, da costura e da pequena ajuda que Fenando dava com seu emprego público. Frente ao amor de Aurélia lhe pediu a mão em casamento, mas logo desanimara do feito, pois sabia que casando com ela teria uma vida pobre e perderia sua liberdade deixando assim de frequentar a sociedade.

Assim o romance esfriou até que o noivado foi rompido. Fernando aceitou casar-se com Adelaide, pelo menos receberia um dote de trinta mil contos de réis. Nesses tempos o avô paterno de Aurélia lhe apareceu, mas rapidamente veio a falecer quase ao mesmo tempo em que sua mãe, no entanto seu avô lhe havia deixando sua rica herança, agora ela era uma moça rica. Sua tutela foi entregue a seu tio Lemos, que há muito havia cortado as relações com a mãe de Aurélia. Mas ela prefiriu viver em uma casa com D. Firmina uma amiga viúva que a tinha amparado quando ficara sozinha no mundo.

Fernando viajou para Recife na esperança de escapar do casamento. Com sua ausência Adelaide e Dr. Torcato Ribeiro se reaproximaram. Aurélia lhe havia devolvido cinquenta mil contos de réis que a muito lhe devia e assim o pai de Adelaide lhe consentiu a mão da filha. Quando Fernando voltou já estava livre do casamento, foi então que Lemos lhe prôpos casar-se com uma moça em troca de um dote de cem mil contos de réis, ele acabou por aceitar e recebeu um adiantamento de vinte mil contos de réis, depois veio conhecer que a moça era Aurélia. Alegrou-se pois sempre a amara.

Casaram. No quarto de núpcias quando Fernando se declarava Aurélia friamente entregou-lhe o resto do dote e declarou que ele a pertencia, afinal acabara de comprá-lo. Nessas condições passaram a viver um falso casamento, dormiam em quartos separados e sempre se tratavam intimamente com sarcasmo e ironia. Com o decorrer do tempo Fernado se dedicava ao trabalho de servidor público e Aurélia passou por um longo tempo se isolando de todos. Depois de tal isolamento dediou-se a festas, visitas e pequenas reuniões contínuas.

Ao voltarem de um baile quase houve uma reconciliação, no entanto essa não se fez. Então durante uma valsa em um baile próprio, Aurélia desmaiou e acabram ambos sozinhos no quarto dela. Nesse momento quase houve novamente uma reconciliação, mas Fernando sem querer disse palavras que ofenderam a sua esposa. Voltaram para o baile, ainda vivendo em farsas.
Quando o baile acabou cada um foi para seu quarto, Aurélia baseando-se nos recentes acontecimentos concluiu que Fernando realmente a amava, quase foi ao encontro dele, mas precisava ter certeza e abandonou assim a idéia.

Nos dias seguidos Fernando recebeu o diheiro que havia ganhado através de um investimento, pediu para conversar com Aurélia. Após o jantar foram para o quarto dela, ele entregou a ela um cheque com o valor que ela havia pagado pelo dote e mais os outros vinte mil contos de réis, conquistados no trabalho na repartição e pelo lucro do investimento. Declarou-se livre, pois havia lhe devolvido o dinheiro com o qual ela o havia comprado.

Considerando-se dois estranhos despediram-se. Nesse momento Aurélia confessou todo o amor que tinha por Fernando, afirmou que sendo eles agora estranhos o passado havia sido esqueçido e assim podiam viver o amor que sentiam. Fernando ao ouvir tal confisão beijou sua esposa e assim reconcilhiaram-se. Ele de repente hesitou, o dinheiro de Aurélia lhes empedia de amarem-se, ela então pegou em uma gaveta um documento, era seu testamento onde deixava tudo para Fernando, nessas circunstâncias uniram-se no “amor conjugal”.